Tributário

Reforma tributária: o que muda para a sua empresa e como se preparar

A reforma do consumo troca PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por CBS, IBS e Imposto Seletivo, em transição até 2033. Entenda o calendário e o que fazer agora.

Por equipe Zenit · · 6 min de leitura

A reforma tributária do consumo (Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025) muda a forma como a sua empresa paga imposto sobre vendas e serviços. A mudança é gradual, mas o momento de se organizar é antes do prazo final, não depois.

O que sai e o que entra

Cinco tributos sobre o consumo são substituídos por um modelo de imposto sobre valor agregado (IVA) dividido em dois:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal: substitui PIS e Cofins.
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), estadual e municipal: substitui ICMS e ISS.
  • IPI perde relevância e passa a ser mantido só em casos específicos.
  • Imposto Seletivo: incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Calendário da transição

  • 2026: ano de teste, com alíquotas simbólicas de CBS (0,9%) e IBS (0,1%), compensadas com PIS e Cofins.
  • 2027: a CBS passa a valer de fato e PIS e Cofins deixam de existir.
  • 2029 a 2032: ICMS e ISS diminuem aos poucos, enquanto o IBS cresce.
  • 2033: o novo modelo vale por inteiro.

O ponto central: crédito sobre o que você compra

No novo modelo, o imposto pago nas compras de insumos e serviços gera crédito para abater o imposto das vendas. Para quem vende para empresas, isso muda a conta de preço e de margem. Quem tem fornecedores que não emitem nota corretamente passa a perder crédito, e isso vira custo.

E o Simples Nacional?

O Simples Nacional continua existindo. As empresas optantes poderão escolher entre recolher CBS e IBS dentro da guia única ou por fora, no regime regular, para gerar crédito aos clientes. Qual caminho compensa depende de quem são os seus clientes: por isso a análise é caso a caso.

Como se preparar agora

  1. Mapeie o seu faturamento por tipo de cliente (empresas ou consumidor final) e por produto ou serviço.
  2. Organize os cadastros fiscais e a emissão de notas, porque o crédito depende de documento correto.
  3. Revise contratos de longo prazo: preços e reajustes precisam prever a mudança de carga.
  4. Simule o impacto no preço e na margem antes de 2027, não depois.
  5. Revise o regime tributário. A reforma é um bom motivo para refazer o estudo comparativo.

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